Por que o sono piora na menopausa
A queda do estrogênio e da progesterona altera a regulação da temperatura, o ritmo circadiano e os neurotransmissores envolvidos no sono. Os suores noturnos causam microdespertares; a progesterona, que tem efeito calmante, diminui; e a ansiedade e os sintomas depressivos, mais frequentes nessa fase, dificultam adormecer e manter o sono.
Tipos de queixa de sono
- Dificuldade para iniciar o sono, com a mente acelerada.
- Despertares no meio da noite, muitas vezes por volta das 3 ou 4 horas, com dificuldade para voltar a dormir.
- Despertar precoce, antes do horário desejado.
- Sono não reparador, mesmo com horas suficientes na cama.
Quando investigar apneia do sono
O risco de apneia obstrutiva do sono aumenta após a menopausa. Sinais de alerta: ronco alto, pausas respiratórias, engasgos noturnos, sonolência diurna importante, dor de cabeça matinal e hipertensão de difícil controle. Nesses casos, indica-se avaliação do sono, que pode incluir polissonografia.
Investigação clínica aprofundada
A Dra. Andressa Lacerda avalia histórico de sono, rastreamento de ansiedade e depressão, uso de medicamentos e substâncias (cafeína, álcool, nicotina), TSH e T4 livre, ferritina (a deficiência de ferro piora o sono e as pernas inquietas), glicemia e o impacto do sono sobre peso e humor.
Tratamentos
- Higiene do sono: horários regulares, quarto escuro e fresco, exposição à luz natural pela manhã, redução de telas e de cafeína e álcool à noite.
- Terapia cognitivo-comportamental para insônia: abordagem de primeira linha, com resultado duradouro.
- Terapia de reposição hormonal: melhora o sono ao reduzir os suores noturnos e por efeito direto; a progesterona micronizada à noite costuma ajudar.
- Tratamento da apneia quando presente, o que muda todo o quadro.
- Tratamento de ansiedade e depressão, quando indicadas.
Limitações e cuidados
Medicações para dormir usadas de forma prolongada e sem acompanhamento podem causar dependência, tolerância, quedas e piora da memória. Tratar a insônia da menopausa exige identificar e corrigir as causas, não apenas suprimir o sintoma.
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