Pólipo Endometrial: Quando Precisa Ser Retirado

O pólipo endometrial é um crescimento do tecido que reveste o útero, quase sempre benigno, mas que pode causar sangramento fora do padrão, escape entre as menstruações e sangramento após a menopausa. A conduta não é a mesma para todas: depende do tamanho, dos sintomas, da fase da vida e dos fatores de risco. A Dra. Andressa Lacerda, ginecologista em Mogi Guaçu-SP, explica quando observar e quando retirar.

Revisado por Dra. Andressa Lacerda, CRM-SP 139.140 | RQE 53.522 · Atualizado em 27 de agosto de 2026

O que é o pólipo endometrial

O pólipo endometrial é um crescimento localizado do endométrio, o tecido que reveste a parte interna do útero. Ele se projeta para dentro da cavidade uterina e pode ser único ou múltiplo, milimétrico ou com vários centímetros. Não é um cisto nem um mioma: o mioma nasce do músculo do útero, o pólipo nasce do revestimento.

Por que aparece

O crescimento do pólipo é estimulado pelo estrogênio. Por isso ele é mais frequente em situações de estímulo estrogênico prolongado ou sem contraposição adequada da progesterona. Contribuem para isso a perimenopausa, com seus ciclos irregulares, a obesidade, que aumenta a produção de estrogênio no tecido gorduroso, a hipertensão e o uso de determinados medicamentos, quando indicado pelo médico.

Sintomas

  • Sangramento entre as menstruações (escape).
  • Menstruação mais volumosa ou mais prolongada que o habitual.
  • Sangramento após a relação sexual.
  • Qualquer sangramento após a menopausa — sinal que exige investigação.
  • Dificuldade para engravidar, em parte dos casos.
  • Muitos pólipos não causam sintoma algum e aparecem em ultrassom de rotina.

Como é feito o diagnóstico

A suspeita costuma surgir no ultrassom transvaginal, que mostra o endométrio espessado ou uma imagem sugestiva dentro da cavidade. A confirmação é feita pela histeroscopia, que olha diretamente o interior do útero. O diagnóstico definitivo, incluindo a natureza do pólipo, só vem da análise anatomopatológica do material retirado.

Observar ou retirar

SituaçãoConduta habitualPor quê
Pólipo pequeno, sem sintomas, antes da menopausaAcompanhamento com reavaliaçãoRisco de malignidade baixo e parte dos pólipos regride sozinha
Com sangramento anormalRetirada por histeroscopiaTrata o sintoma e permite a análise do material
Pós-menopausa, principalmente com sangramentoRetirada e análiseÉ a faixa em que o risco de alteração pré-maligna ou maligna é maior
Pólipo grande ou múltiploRetiradaMenor chance de regressão e maior chance de sintoma
Investigação de infertilidadeRetiradaO pólipo ocupa a cavidade e interfere na implantação

Como é o tratamento

Quando indicada, a retirada é feita por histeroscopia cirúrgica, sem cortes na barriga, em ambiente hospitalar. O pólipo é removido sob visão direta e enviado para análise. A recuperação costuma ser rápida, com cólica leve e sangramento discreto por alguns dias. O resultado do exame anatomopatológico orienta o seguimento.

Sinais de alerta

  • Sangramento em qualquer volume após a menopausa.
  • Sangramento que aumenta de volume ou de frequência ao longo dos meses.
  • Sangramento acompanhado de perda de peso não intencional.
  • Anemia sem outra causa aparente.

Limitações e cuidados

Nem todo espessamento endometrial é pólipo, e nem todo pólipo precisa de cirurgia. Por outro lado, sangramento na pós-menopausa nunca deve ser atribuído a "pólipo" sem investigação: é justamente a situação em que o diagnóstico precisa ser confirmado. O plano é construído caso a caso, considerando sintomas, fase da vida, desejo reprodutivo e fatores de risco.

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Perguntas frequentes

Pólipo endometrial é câncer?

Na grande maioria das vezes, não: os pólipos endometriais são benignos. Existe uma parcela pequena com alterações pré-malignas ou malignas, e esse risco é maior na pós-menopausa, quando há sangramento e quando o pólipo é grande. É por isso que o material retirado é sempre enviado para análise.

Todo pólipo precisa ser retirado?

Não. Pólipos pequenos, sem sintomas e em mulheres antes da menopausa podem ser acompanhados, e parte deles regride sozinha. A retirada é indicada quando há sangramento, quando o pólipo é grande, quando a mulher já está na pós-menopausa ou quando há investigação de infertilidade.

Pólipo endometrial atrapalha para engravidar?

Pode atrapalhar. Ao ocupar a cavidade uterina, o pólipo interfere na implantação do embrião. Em investigação de infertilidade ou antes de tratamento reprodutivo, a retirada costuma ser indicada mesmo quando não há sangramento.

O pólipo pode voltar depois de retirado?

Pode. A recidiva existe e é mais provável quando há fatores que estimulam o endométrio, como obesidade e desequilíbrio hormonal. Por isso o acompanhamento continua após o procedimento, e os fatores associados são tratados junto.

Fontes e referências

Dra. Andressa Lacerda — Formação e Credenciais

A Dra. Andressa Lacerda é médica ginecologista há mais de 13 anos, com foco na saúde da mulher a partir dos 40 anos: perimenopausa, menopausa, reposição hormonal individualizada, saúde íntima, ginecologia regenerativa funcional e emagrecimento com causa hormonal e metabólica.

  • Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Jundiaí.
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
  • Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO.
  • Pós-graduação em Endoscopia Ginecológica pela Santa Casa de São Paulo.
  • Pós-graduação em Ginecologia Endócrina e Reprodução Humana pelo Instituto GERA.
  • Menopause Society Certified Practitioner (MSCP) e certificação em Medicina do Estilo de Vida (Escola MEV Brasil).
  • CRM-SP 139.140 | RQE 53.522.

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado pela Dra. Andressa Lacerda. As informações têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem uma avaliação médica individualizada.

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Se você tem sintomas ou dúvidas sobre o seu caso, procure uma avaliação médica presencial com um ginecologista. Em situação de urgência, busque atendimento imediato no serviço de saúde mais próximo.

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